Com R$ 50 milhões, BNDES apoia reconstrução do Museu Nacional
Recursos não reembolsáveis deverão ser destinados à continuidade da reconstrução do museu
Banco já contratou duas operações de apoio à recuperação da unidade, em 2018 e 2022, nos valores de R$ 21,7 milhões e R$ 28,3 milhões
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quarta-feira, 2 de abril, o apoio financeiro não reembolsável no valor de R$ 50 milhões para a reconstrução do Museu Nacional, instituição autônoma ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com os recursos do BNDES Fundo Cultural, o valor total destinado pelo BNDES à recuperação do museu chegará a R$ 100 milhões.
A proposta é dar sequência às ações do BNDES para apoiar a reconstrução da unidade, que teve grande parte das instalações e do acervo atingida pelas chamas em 2018. Foram duas operações contratadas em 2018 e 2020, nos valores de R$ 21,7 milhões e R$ 28,3 milhões, respectivamente.
Os projetos apoiados pelo BNDES abrangem o restauro do Paço de São Cristóvão, a reforma e readequação do prédio da Biblioteca Central e ações de divulgação e ativação. Os contratos também contemplam a estruturação de fundo patrimonial destinado a sustentabilidade financeira de longo prazo do museu.
“Em novembro do ano passado, durante a cúpula social do G20, assumimos publicamente o compromisso público de botarmos o Museu Nacional novamente de pé”, lembrou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “O governo do presidente Lula está comprometido com o resgate da cultura, tão duramente perseguida em outros tempos, e o Banco faz parte desse esforço. É a instituição que mais apoiou o patrimônio histórico do Brasil, com uma carteira de mais de 400 projetos”.
Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, destaca que o BNDES está com o Museu Nacional/UFRJ antes mesmo do incêndio. “No dia 6 de junho de 2018, às vésperas do bicentenário da nossa instituição, que é o primeiro museu brasileiros, foi assinado um aporte de R$ 21,7 milhões. Após o incêndio, o BNDES continuou conosco, sendo bastante flexível na readaptação do projeto que havia sido aprovado. Consideramos o apoio do BNDES ao Museu Nacional/UFRJ como um exemplo de compromisso para com o país a ser seguido e servir como inspiração para empresas e instituições”, afirma.
“A liberação de recursos pelo BNDES para a reconstrução do Museu Nacional é uma excelente notícia, que nos deixa muito felizes. Agradecemos ao presidente do Banco, Aloizio Mercadante, pelo apoio. Essa conquista é resultado do trabalho incansável do ministro da Educação, Camilo Santana, e do comprometimento pessoal do presidente Lula, que tem se empenhado na reconstrução do Museu o mais rápido possível”, afirma Roberto Medronho, reitor da UFRJ.
“O Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive celebra este novo investimento do BNDES, que vai permitir o avanço das obras de restauração do Paço de São Cristóvão. Esse gesto de confiança no trabalho realizado até aqui estimula outras instituições a também se somarem a este projeto tão desafiador e histórico: devolver para o Brasil o seu primeiro museu e a sua primeira instituição científica”, afirma Hugo Barreto, representante do Comitê Executivo do Projeto Museu Nacional Vive e diretor-presidente do Instituto Cultural Vale.
O museu – Criado em 1818 por d. João VI e inicialmente localizado no Campo de Santana, atual Praça da República, o Museu Nacional ocupa desde 1892 o Paço de São Cristóvão, na Quinta do Boa Vista. O local foi residência da família imperial de 1808 a 1889 e abrigou também a Assembleia Constituinte de 1891.
O Museu Nacional integra o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e é considerada a primeira instituição museológica e científica do país, sendo criado no início do século XIX. Como parte da universidade, possui perfil acadêmico e científico com produção, disseminação de conhecimento e formação de coleções nas áreas de antropologia e ciências naturais. O acervo do Museu Nacional é considerado um dos maiores da América Latina com destaque na área de antropologia para a coleção egípcia, fomentada por D. Pedro II e a coleção Teresa Cristina que inclui peças de arte e artefatos greco-romanos, recuperados principalmente nas escavações de Herculano e Pompeia.
As coleções de Etnologia reúnem objetos das culturas indígena, afro-brasileira e do Pacífico. Na área de ciências naturais o museu abriga fósseis de dinossauros, minerais e vasta coleção de invertebrados, incluindo espécies de mar profundo e vertebrados.
Outra peça importante guardada e recuperada após o incêndio do MN/UFRJ é o mais antigo fóssil humano já encontrado na América do Sul, “Luzia”, datado de cerca de 13 mil anos atrás e que traz luz as pesquisas da colonização do homem nas Américas.
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